Gran finale do Belas Artes

Pois é, amigos. Não adiantou a linda mobilização em defesa do Belas Artes. A força da grana vai destruir mais uma coisa bela.

Para se despedir em grande estilo, o cinema programa para amanhã (quinta, 17 de março), na última sessão de cada sala, filmes que reafirmam todos os valores ignorados pela estupidez do capital: a poesia, o humor, a aventura, o mistério, a graça.

Os seis filmes escalados são, por ordem cronológica de produção: O Águia (1925), de Clarence Brown, com Rodolfo Valentino; No tempo do onça (1940), de Edward Buzzell, com os Irmãos Marx; A doce vida (1960), de Federico Fellini; O Leopardo (1963), de Luchino Visconti; Queimada (1969), de Gillo Pontecorvo; e O joelho de Claire (1970), de Eric Rohmer.

Uma festa para os olhos, os ouvidos, o intelecto e a sensibilidade. Fugaz, como toda festa, mas enfim…

Nosso consolo, contra a truculência e a pobreza de espírito dos tempos que correm, é saber que houve um Visconti e que ele criou um momento de pura beleza, de verdadeira epifania como o que se segue:

http://www.youtube.com/watch?v=JTsY-crPRlU

Anúncios

25 Respostas to “Gran finale do Belas Artes”

  1. Adriana Cardoso Says:

    Acabei de ver a última cena do filme O Leopardo .Boas lembranças .
    Valeu a campanha ,a tentativa .Os tempos de hj são de uma urgência e ganância ,q parece não haver espaço para um Belas Artes ,em meio ao centro de uma cidade como São Paulo .O primeiro filme q vi em um cinema ,foi com minha mamãe e minha irmãzinha : a “Montanha Enfeitiçada “.Volto no tempo qdo lembro disso .Fiquei encantada ,os pés balançando na poltrona grande demais para uma menininha ,a tela enorme ,os comentários da minha irmã e mamãe pedindo silêncio para entendermos a história .Foi assunto para semanas lá em casa …Q mães possam levar seus pequenos ao cinema para juntos partilharem de momentos de doçura assim ,q namorados ainda encontrem nos filmes dos cinemas inspiração para juras de amor (será q ainda existe ?) ,q casais depois de ficarem sem os filhos em casa ,possam se distrair vendo filmes em cinemas sem preocupações corriqueiras .O cinema ainda traz essa fascinação ,nem q seja nas salas chiques dos shoppings .E q empresários e governantes sejam tocados para olharem por cidades pequenas q ,podem sim ,abrigarem um sala de cinema .Jose´Couto ,q sensibilidade a sua ,nessa despedida .Sempre um mestre com palavras e lembranças lindas .Obrigada pelo q traz no blog .Beijo grande .

  2. maria Says:

    Calma. Ok, chegamos aos 45 min do 2º tempo. Como de praxe, teremos 3 minutinhos de acréscimo. Mas é apenas o fim do tempo regulamentar. Ainda temos a prorrogação e os pênaltis. bjs.

    • zegeraldocouto Says:

      querida maria: deus (ou os deuses dos estádios, para seguir na sua metáfora futebolística) te ouça. quem sabe ainda temos chance de virar o placar. beijo grande, volte sempre.

  3. maria Says:

    Putz, será que a Câmara de SP será o nosso goleiro? Ou fará o papel do juiz? Só espero que vencida a contenda (pro nosso lado,claro) não se repita o caso da Taça das Bolinhas. Afinal por onde anda a dita cuja? Zé, rir pra não chorar. bjs

  4. Lara Ely Says:

    Olá Zé Geraldo
    Gostaria de te mandar um convite por email. Tu poderias me mandar qual o teu endereço eletrônico? Obrigada. Lara

  5. reginapaz Says:

    Pois é Zé. Eu conversava agora há pouco com Luiz sobre o fim do Belas Artes. O que custava ao último patrocinador ter continuado a seguir com o tal do patrocínio! Não. os sujeitos querem apenas dar voz ao que chamam de produto de massas. Shows em grande estilo, em grandes casas. Ou blockbusters. Ok, dêem estímulo a esse segmento. Mas a grana que Sturm precisava sai literalmente no xixi desses bancos. Pura ignorância do povo de marketing, que despreza solenemente e odeia qualquer outra manifestação de arte que pense o contrário. Que proponha reflexão. Que discuta, que critique, que exponha contradições. Fico muito triste. Mesmo. Beijos e amanhã vou me organizar para re-ver alguns filmes.

    Mari-Jô Zilveti
    http://nomadismocelular.com.br
    http://botecocultural.com.br

  6. rachel nunes Says:

    Como estou no Rio de Janeiro, o medo é que acabem os cinemas do Estação, em Botafogo. Há ainda em Santa Tereza um mini cinema simpaticíssimo e com foco na produção nacional. Vaticinaram o fim por completo dos cinemas de rua; o Belas Artes é mais um que se vai (se for), mas não podemos esquecer que, antes de salvar o prédio, temos é que criar público, tornar o cinema, mais uma vez, “a maior diversão”, mesmo que seja para chorar diante da tela ou se desesperar com a condição humana.

    • zegeraldocouto Says:

      cara rachel: pois é, o perigo ronda todas as grandes cidades, dada a mesquinhez dos detentores do capital e do poder. tomara que os cinemas do estação resistam. abraço grande, obrigado pela visita. volte sempre.

  7. Jaqueline Says:

    Fui ontem me despedir, provisoriamente – espero, do Belas Artes: uma noite triste pelo “até logo”, mas feliz pela união das pessoas e pelos ótimos momentos vividos com os irmãos Marx.

    Reencontrei o blog hoje: longa a vida a esse espaço também!

    Abs,

  8. Fábio Nadson Says:

    Zé,

    desculpa só agora descobri que você voltou.

    Um grande abraço.

    p.s. Que ótimo que o MELHOR crítico de cinema do país voltou e está livre das amarras que o prendiam e obrigavam a escrever sobre filmes e prêmios indesejados.

  9. John Smith Says:

    Olá, JGC! Primeiramente, quero dizer que é um prazer enorme poder continuar lendo seus escritos sobre cinema, agora, neste espaço. Desde já, peço desculpas, pois, irei divergir do assunto deste post. É que, iniciante que sou sobre Cinema, assisti neste fim de semana, pela primeira vez, a dois filmes do diretor John Ford: “As Vinhas da Ira” e “Ratros de Ódio”. Do primeiro, eu gostei muito. Achei tão bom quanto o livro que lhe deu origem. Mas fiquei desapontado com “Rastro de Ódio”. Sempre li críticas muito positivas sobre este filme, que muitos críticos consideram como sendo a obra-prima de Ford. Além de não ter gostado da atuação de John Wayne e de Natalie Wood, eu não esperava pela antiga lógica de índios bandidos e americanos hérois. Talvez, no futuro, você possa, por gentileza, iluminar esta obra para que eu possa entender o porquê dela ser tão elogiada pelos críticos. Parabéns e obrigado pela iniciativa de criar este espaço. Abraço. John.

    • zegeraldocouto Says:

      caro john, seria muito extenso explicar de que maneira “rastros de ódio” vai muito além da “lógica de índios bandidos e americanos heróis”. na verdade, o filme é um ponto importante de inflexão no processo de autoquestionamento de john ford com relação à questão indígena e às origens da sociedade americana. a relação de wayne com os índios é ao mesmo tempo de ódio e fascínio, admiração e aversão. mas fica para uma outra conversa. muito obrigado pela visita e pelo comentário. abração, volte sempre.

  10. Pedro Souza Says:

    Que bom que a crítica inteligente e honesta voltou. Para ela, sempre haverá espaço. Vida longa aos seus pensamentos. abs.

  11. Emerson Says:

    Zé,

    Mais um espaço sagrado sucumbiu diante da estupidez e da ganância do capital. Quando eu era office-boy na Pauliceia, hoje mais que desvairada, eu corria nos momentos de desolação e opressão, e na medida do possível, para alguns cinemas: Copan ( hoje igreja=banco ), Galeria Metrópole e tantos outros que também fecharam. O destino, como já sabemos de antemão, são os paraísos artificiais do capitalismo, denominados shopping centers, com ar-condicionado, “segurança?”, praça de alimentação, lojas de canivete suiço. E, principalmente, sem os historicamente indesejáveis da sociedade, aqueles que não consomem, absolutamente, nada: “Os feios, sujos e malvados”. Querido Zé, estamos encurralados. E quem sair por último, que apague a luz.

    um forte abraço,

    Emerson

    • zegeraldocouto Says:

      caro emerson, seu diagnóstico é sombrio, mas realista. só que a sociedade está mudando. de uma década para cá, melhorou o padrão de vida da maioria. penso que falta aos empresários do setor uma visão mais ampla e ousada, que contemple esse novo mercado consumidor não só de bens materiais, mas também, potencialmente, de bens culturais. mas isto é assunto para outros posts. grande abraço, volte sempre.

  12. manduka Says:

    A última noite foi uma grande emoção…valeu Belas Artes…http://www.youtube.com/watch?v=kUU4qtP2S1Q…abração!

  13. Telmo Says:

    Que bom ter descoberto seu blog! Acompanhava seus textos na Folha e os achava muito instigantes. Hoje não é mais possível ler jornais no país tamanha indigência editorial.
    Estive na última noite no Belas Artes para ver o Rohmer, mas estava tudo lotado. O Belas Artes é o cinema da minha adolescência, quando no interior de SP, sonhava conhecê-lo. Vim a fazê-lo em 1992 quando vi O Marido da Cabelereira e tudo me impressionava, as poltronas, o público, o ambiente charmoso.
    Um grande abraço e parabéns pelo blog

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: