Perigo: cinema brasileiro

Escrever sobre filmes brasileiros é pisar em ovos.

O crítico que deseja tratar de modo franco e independente das produções nacionais enfrenta duas ordens de pressão: de um lado, da ditadura do sucesso; de outro, da chantagem do fracasso. Eu explico.

A ditadura do sucesso

Se o crítico desanca um êxito de bilheteria como Tropa de elite, Chico Xavier ou Bruna Surfistinha, é acusado de arrogância, preconceito contra o grande público ou, pior ainda, inveja e despeito.

Usa-se para isso, de modo distorcido e leviano, uma frase célebre de Tom Jobim: “No Brasil, o sucesso é ofensa”. No contexto, o compositor, se não me engano, estava se referindo a Pelé – e claramente pensando em si próprio -, mas desde então a frase tem sido usada para desqualificar qualquer crítica a “vencedores”, sejam eles Ronaldo ou Xuxa, Fernanda Montenegro ou Luciano Huck. O êxito nivela “pelo alto”, o único critério de avaliação passa a ser a bilheteria, a audiência, o índice de popularidade.

Não preciso dizer o quanto essa lógica rebaixa o pensamento, embota a sensibilidade, empobrece o espírito.

Por acaso, escrevi sobre os três filmes citados acima, e posso dizer com segurança que procurei ver cada um deles em sua especificidade de proposta e realização, sem nenhum parti-pris. Isso não significa que as críticas sejam acertadas, mas que seus defeitos se devem a minhas parcas luzes, não a algum tipo de preconceito.

O problema é que os realizadores desses campeões de audiência querem o melhor de dois mundos: os milhões da bilheteria e o aplauso unânime da crítica. Querem que seus filmes sejam vistos como produtos altamente vendáveis e como obras de arte.  Nem sempre é possível.

A chantagem do fracasso

Entre os blockbusters da Globo Filmes e os pequenos filmes “de autor”, que mais ou menos se conformam com uma inserção modesta no mercado exibidor, há uma enorme gama de filmes nacionais que se rendem a todo tipo de concessão (aos temas do momento, às fórmulas narrativas pasteurizadas, à dramaturgia dominantes, aos elencos globais) em busca do público… e fracassam.

Sempre que um crítico aponta as fragilidades e inconsistências desses monstrengos, é acusado pelos produtores da obra – e muitas vezes por solidárias (corporativas?) vozes de outros membros da comunidade cinematográfica – de jogar contra o cinema brasileiro, de afastar o público dos filmes, de fazer o jogo das majors americanas.

Alguns produtores e diretores são mestres nesse tipo de intimidação da crítica. Cacá Diegues, por exemplo, depois de brandir durante décadas a expressão “patrulhas ideológicas”, agora acusa quem não gosta de seus filmes de não gostar do Brasil. Só isso.

Nem todos são assim, claro. Há posturas e posturas. Nelson Pereira dos Santos, por exemplo, que quase sempre tentou dialogar com um público amplo, muitas vezes fracassou. Foi malhado como poucos – e sempre reagiu com serenidade e elegância, dizendo que o papel do crítico é fazer crítica. Como grande artista que é, Nelson sabe que sua atividade se nutre dessa troca de olhares e ideias, ainda que por momentos essa relação seja de atrito.

Não estou aqui defendendo a leviandade e a irresponsabilidade de quem escreve. Sei que há muitos que usam o espaço e o aval que a mídia lhes dá para destilar rancores, exercitar a vaidade, fazer gracinhas. Mas estou falando de gente adulta e séria.

Existe o cinema brasileiro?

Talvez o erro de origem, a fonte primordial das concepções corporativistas e autoritárias, seja a ideia de que existe uma entidade chamada “cinema brasileiro”.  Ora, o que há em comum entre um filme de Julio Bressane e Tropa de elite, entre Eduardo Coutinho e Se eu fosse você, entre De pernas pro ar e Beto Brant?

Já notaram que, em geral, quem profere de boca cheia, a torto e a direito, a expressão “cinema brasileiro” é quem defende as posições mais conservadoras, as situações de privilégio adquirido nas últimas quatro décadas? Se alguém pensou em Luiz Carlos Barreto e assemelhados, acertou.

Penso que talvez seja saudável, ou menos mistificador, falar em cinema feito no Brasil, ou mesmo filmes feitos no Brasil. E tentar encará-los com a mesma isenção e distanciamento com que encaramos um filme americano, argentino, italiano ou tailandês. Claro, desde logo, que isso é impossível, mas nada nos impede de tentar.

Para fechar este texto que já está ficando perigosamente longo, talvez seja o caso de voltar à célebre frase de Paulo Emilio Salles Gomes, sujeita a tantos mal-entendidos: “O pior filme brasileiro nos diz mais respeito que o melhor filme estrangeiro”.

A leitura mais pobre dessa fecunda formulação reduziu-a a uma patriotada: “O cinema brasileiro é melhor que o estrangeiro”. Ou “Nós é nós, o resto é bosta”, para usar a linguagem das ruas.

Ora, Paulo Emilio estava muito longe de ser um Policarpo Quaresma ou um tolo xenófobo. Sua formação era francesa, seu livro de maior repercussão foi um estudo sobre Jean Vigo. Isento de deslumbramento e de provincianismo, o que ele disse, de forma cristalina, é que qualquer filme brasileiro diz mais sobre nós mesmos, eventualmente até nas suas inépcias e insuficiências, do que um filme estrangeiro. Isso, em si, não é bom nem ruim. É um fato. O desafio, para os críticos, é levar isso em conta na hora de avaliar um filme, para não cair nem na complacência nem na virulência descabida.

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51 Respostas to “Perigo: cinema brasileiro”

  1. Leo Cunha Says:

    Reflexão essencial, Zé.
    E você ainda criou (por acaso, erro de digitação ou insight mesmo) um neologismo genial: patritoada.

    Qualquer patriotada já é um perigo. Pior ainda é quando vira uma patritoada!
    Abraço,
    Leo Cunha

  2. claudia intatilo Says:

    o problema é que essea grandões tratam o filme brasileiro com olhar estrangeiro, zé. daí o paulo emílio revira…

    • zegeraldocouto Says:

      o problema, claudia, é que eles tratam com olhar estrangeiro, mas usam o nacionalismo como álibi. quando um abacaxi qualquer do fabio barreto concorreu ao oscar, ele disse: “vamos buscar esse caneco”, como se fosse a seleção brasileira numa copa do mundo. beijão, obrigado pela visita.

  3. Leo Cunha Says:

    Pô, eu tinha adorado o termo “patritoada”. Pena que você corrigiu. Mas fique registrado que é um puta neologismo!

  4. claudia intatilo Says:

    verdade zé. to rindo aqui com a história do caneco.

  5. Thiago Barbosa Says:

    Bela reflexão Zé. Certas vezes me deparo com críticas à filmes nacionais recheadas de preconceitos e comparações errôneas como as que tentam nivelar nossa produção à argentina sem a percepção do contexto que as separam. A vaidade toma conta e ao invés de abordar o filme, o sujeito prende-se as richas pessoais com realizador, estúdio, produtores, etc. Dificil senão impossível analisar um blockbuster com os critérios de um “filme-arte”. Poucos na história do cinema conseguiram seduzir crítica e massa ao mesmo tempo. O movimento atual do cinema nacional é propicio para o destaque da crítica visto o crescimento da produção, seja da GloboFilmes ou do cenário independente. Alguns como você se saem muito bem nessa dificil tarefa de compor uma crítica com elementos que enriquecem a experiência do espectador/leitor. Abraço.

    • zegeraldocouto Says:

      é isso mesmo, thiago. é o que eu chamo, usando o provérbio espanhol, de “pedir peras ao olmo”, ou seja, cobrar de um filme aquilo que ele não se propõe a dar. obrigado por me incluir entre os que tentam escapar desse círculo vicioso e viciado. abraço, volte sempre.

  6. Ewerton Paulino Says:

    Tento ver o cinema como uma entidade maior perante a nacionalidade daqueles que o fazem. O legal é dialogar de diversas maneiras, ver Apichatpong refletir no, sei lá, Esmir Filho(são só exemplos de um possível crossover na linguagem cinematográfica, não quero dizer que o que eles fazer são coisas parecidas) E assim tentar espantar esse estigma de Cinema Brasileiro, Cinema Nacional ou coisa do tipo. Cinema é Cinema, não é? A Identidade é preciso, mas que seja feita com os artifícios cinematográficos(que é o que aproxima o mundo todo).

    Deixando o blá blá blá: Bom te encontrar em outro lugar.
    Abraço.

    • zegeraldocouto Says:

      assino embaixo, ewerton. a ideia dos cruzamentos e diálogos entre filmes de várias cinematografias é muito estimulante. o cinema como linguagem universal, ainda que os filmes possam ter forte identidade local. bom te encontrar por aqui também. obrigado pela visita, volte sempre.

  7. Carles Martí Hernández Says:

    Olá, Zé Geraldo, como redime a sensação da liberdade, não? Mesmo que seja uma sensação passageira.

    • zegeraldocouto Says:

      nem diga, carles. mesmo que essa liberdade seja limitada. como dizia o graciliano ramos, entre os limites impostos pela gramática e os impostos pela polícia, o escritor pode fazer o que quer. abração, volte sempre.

  8. Emerson Says:

    Zé,

    Pior que esse nacioalismo tacanho contamina todas as esferas da cultura brasileira: cinema, literatura, futebol etc. Essa patriotada na época do Oscar chega a constranger. Quem vai na contracorrente do discurso pró-nacioanal logo é chamado de espírito de porco, para dizer o mínimo. Felizmente, você não se curva a esse oba oba, ciente de que “o nacionalismo é o último refúgio dos canalhas!”. Estou contigo.

    abraços,
    Emerson

  9. Carles Martí Hernández Says:

    Uma coisinha mais, sobre esse ufano sentimento de “ame-o ou deixe-o” contemporâneo, “a favor ou contra nós”. A identidade é uma contenedor muito menor do que pretendem aqueles que sempre nos fizeram crer numa só, verde e amarela. Têm muitas mais cores, muitos mais sentimentos, crenças, modos de ver a vida. Tal infinidade que, o afã de fazer caber numa suposta carteira de identidade ou numa obra, faz recortar um montão de pontas sobrantes. Apesar de que muita gente tente se projetar nessa foto, afinal, ninguém consegue se identificar.

  10. flávio de castro Says:

    Um conhecido, dono de uma perseverante loja de discos de vinil, diz que “não gosta de MPB, mas sim de MB”,ou seja, gosta de música brasileira sem o apodo “popular”. A gente pode refletir isso no cinema? Um cinema nacional sem popular, ou um cinema popular sem nacional? No jogo das palavras eu arrisco até um “nacional sem cinema”.”Iracema, um transa amazônica”, ou ainda “Cabra marcado para morrer” poderiam ser feitos em outro rincón? Por outro lado, penso que um filme do teor de “Se eu fosse você” poderia ser feito em qualquer lugar do planeta.
    Assunto pra mais de post ! Foi o Nelson Rodrigues que avisou-nos de que a doença do nacionalismo só se cura viajando. E termino lembrando que, por esses dias, eu quero mesmo é saber do tal do cinema uruguaio! Um abraço e que venha o Mirassol.

  11. jose alfredo Says:

    Caro motorista, brilhante.
    E como a discussao eh muito interessante, mereceria ser aprofundada. Grosseiramente, daria para dizer: assim como existe musica americana (pop/ rock/ jazz) nacionalizada, as vezes com grande forca criativa (Mutantes, por ex), existe uma musica brasileira francamente nacional (samba/ pagode/ bossa), ‘endogena’, muitas vezes com grande forca criativa (dezenas de exemplos e variacoes mil).
    Essas linguagens musicais americano-brasileiras sempre conviveram, se repelindo ou se friccionando ou se macaqueando, de varias maneiras, com a forca da grana quase sempre do lado deles, e com a forca da cultura quase sempre do lado nosso, em tantas combinacoes que dariam um samba do crioulo doido (quando eu era crianca, nosso pais se chamava Estados Unidos do Brasil)…
    Para mim, a coisa eh sobretudo ideologica. Ja ouvi uma antropologa dizer que existiam mais de cem (100) cantos de aniversario no Reconcavo Baiano… Mas hoje, praticamente soh se canta o enfadonho ‘parabens pra voce’, incorporado dos americanos. Isso nao eh diversidade, eh empobrecimento cultural.
    E no cinema, como eh industria, a coisa americanoide pega ainda mais! De fato, as vezes se usam meios para acertar a bilheteria dos ‘shoppings’, as vezes para acertar um resultado artistico, as vezes ambas as coisas – e as vezes, nem uma coisa, nem outra. Mas, de qualquer forma, tem coisa ai: por mais que a tentacao colonialista persista em dobrar nossos cineastas, especialmente os que nao expurgaram substancias intelectualmente toxicas (como RinTinTim ou Rambo) de sua alma, a coisa brasileira tem sempre uma resistencia interessante… E explode (nos dois sentidos) de tempos em tempos, reafirmando nossa identidade original, ainda que ‘na paralela’…. Os radicais (os indispensaveis Suassunas) tentam fazer o contraponto, para nao deixar a vaca ir de vez para o brejo.
    E, da mesma forma: assim como existe uma versao nacional dos varios generos/ estilos americanos, existe (ainda que pareca um eterno projeto ideologico) um cinema baseado numa linguagem aqui desenvolvida, num dialogo direto com a arte e a cultura brasileira mais funda, que ate chegou a ter um certo relevo no cinema novo…
    E enquanto Fernando Meirelles (nada contra, muito a favor) parece ter assumido a condicao de cineasta internacional (tem executivo brasileiro presidindo grandes montadoras internacionais, e isso eh bom), tem gente ainda tentando fazer/ defender um ‘cinema brasileiro’, mesmo que ja nao tenhamos o devido suporte visionario/ ideologico, como nos davam o profeta Glauber Rocha e seus apostolos.
    Enfim, embora caia na brincadeira, sou muito mais para o patrulheiro ideologico do que para o vigilante rodoviario. Macunaima me interessa ate hoje, ainda nao consegui decifrar direito… Ja o capitao Nascimento, parabens, muitos meritos, dou valor, eh um baita ‘similar nacional’… Mas aonde leva? Para onde vamos (se eh que ainda vamos a algum lugar), alem do ‘shopping’ e da ‘tela plana’…
    Bem, isso tudo eh so para comecar. Nao acha que o assunto dah samba, pano pra manga, o escambau?
    Assume o volante que o caminhao eh seu, xara!
    valeu, abrax.

    • zegeraldocouto Says:

      zé alfredo, bela reflexão. dá pano para muitos posts. retenho aqui apenas um ponto (pensando nos mutantes): as culturas não são “puras” ou estanques, elas se formam no contágio, no atrito com outras culturas. no cinema, como você observou, o peso econômico da indústria americana desequilibra demais as coisas, torna esse trânsito quase que de mão única. mas persiste a ideia básica de que é possível construir uma identidade sem fechar as portas para o que vem de fora. grande abraço, volte sempre.

  12. Bruno Mello Castanho Says:

    Zé,

    Bravo!

    Somente os grandes cineastas entendem a relação de cumplicidade que existe entre o cinema e o bom crítico, como você e alguns poucos. Porém, aqueles que não entendem, não o precisam, pois na verdade são os filmes e a produção teórica e crítica que vão levar o cinema feito no Brasil – e não brasileiro – para algum lugar.

    um abraço

  13. Adriana Cardoso Says:

    Oi José Couto .Mais uma aula e nessa ,fica o aprendizado de q cinema é cinema .Q bom seria q fosse assim .
    Cinema é arte e arte não tem fronteiras .Penso q assim ,seria muito proveitoso para todos ,quem faz o filme (indústria cinematográfica e tal …) e quem o assiste ,tendo mais acesso a ele (o q tem de cidades “pequenas” sem uma sala de cinema ainda hj ,é absurdo !) .
    Crítica tem q haver ,sempre .Me ajudam tanto ! Grande abraço .

    • zegeraldocouto Says:

      adriana, é sempre muito estimulante ler suas generosas palavras. de fato, um dos grandes escândalos no brasil é o fato de a imensa maioria das cidades do país não contarem com sala de cinema. ainda tenho esperança de que isso mude. beijão, obrigado pela visita.

  14. Perigo: cinema brasileiro (via blogdozegeraldo) | Beto Bertagna a 24 quadros Says:

    […] via blogdozegeraldo […]

  15. rachel nunes Says:

    Brasileiro ou feito no Brasil, o cinema reflete as questões a partir de uma especificidade não nacional, mas cultural, embora a cultura seja perpassada por nacionalismo e, aqui, pela língua particular, o português, que nos forneceu certa insularidade.

    Por isso nos é mais importante o cinema – brasileiro ou feito no Brasil – do que aqueles de outras origens, mas, à vista a realidade, basicamente estadunidense. O cinema feito aqui, industrial ou artesanal, minimamente mantém nossa visada característica, que nos obriga a contemplar o mundo inteiro, pois é onde nos inserimos e onde a arte ocupa seu verdadeiro espaço – nas imaginações de cada ser.

    O que percebo, no entanto, é o olhar deletério ao cinema feito aqui, e bastante condescendência com o cinema feito em outros países. Não devemos esquecer, sobretudo, que algumas avaliações de subprodutos hollywoodianos de último nível são, no mínimo, estranhas. Se o filme tem um vernizinho artístico, então… Vi gente falando maravilhas de um suposto filme independente estadunidense, O casamento de Rachel, repleto de lugares comuns em termos de montagem e construção de personagens. E uma imensa má vontade com Os Inquilinos, do Spergio Bianchi, infinitamente melhor.

    Depois de décadas em que o, vá lá, cinema brasileiro foi descartado pelo espectador em razão dos palavrões e nudez, faz-se necessário retrabalhar este cinema para novas platéias, livres dos velhos preconceitos, aliás formados na época da ditadura militar, época de ouro das pornochanchadas, quando quase nada podia se fazer, e o que era feito não podia violar os “princípios” políticos, morais e de “bons costumes” da turma de verde-oliva.

    O problema é que, maculados todos pela gramática hollywoodiana, com seu cinema-jogos de guerra descerebrado (e concebido principalmente como descerebrante), repleto de explosões e planos que duram no máximo um segundo, poucos se dispõe a olhar para uma tela e contemplar um plano-sequência – e se a câmera estiver fixa então, adeus…

    Torço sempre em vão pelo êxito dos bons filmes… nacionais. Nunca dá certo; postos em pequenas salas, sem divulgação, eles são vistos por umas poucas dezenas e, com sorte, centenas de pessoas. Em uma semana saem de cartaz – como aconteceu aqui, no Rio, com Minha Vida em Perigo.

    Enfim, o poder econômico tem seu braço na indústria cultural como correia de transmissão de seus valores de dominação que são, obviamente, os valores dominantes. O cinema é refém dessa hegemonia. Transformá-lo seria transformar o mundo mas, como sabemos, será transformando o mundo que poderemos, enfim, transformar o cinema. Enquanto isso não vem, temos Transformers I, II, III…

  16. zegeraldocouto Says:

    cara rachel, você tem toda razão, e foi muito bom trazer à discussão esse “outro lado”, que é a submissão acrítica aos produtos da indústria americana e a pouca atenção a filmes brasileiros relevantes que não contam com a máquina globo filmes de divulgação. os exemplos foram muito bem escolhidos. “os inquilinos” não teve nem o público nem a atenção crítica que merece. abraços, obrigado pela visita e pela contribuição ao debate.

    • rachel nunes Says:

      Caro Zé Geraldo

      Aproveitarei para publicar esse meu comentário em meu próprio blog. Fui respondendo assim, desatentamente, mas depois que voltei aqui à tarde vi que ficou bacaninha, pelo menos o bastante para um blog. A propósito, publiquei hoje o texto sobre o “Um Amor tão Frágil”.

  17. Thiago Stivaletti Says:

    Grande post, Zé (“grande” de boa qualidade, não de longo :). E aproveitou para me tirar uma ignorância: apesar de ter lido “Cinema: Trajetória no Subdesenvolvimento”, sempre achei que a frase do Paulo Emílio fosse “qualquer filme brasileiro é melhor que qualquer filme estrangeiro”. E sempre a achei muito patriota. Agora está tudo esclarecido. E obrigado pela inserção do link! Abs

  18. maria Says:

    Acho que você foi generoso. Talvez pisar em campo minado seja a expressão adequada, haja vista que o crítico é, muitas vezes, considerado um inimigo. Nada a acrescentar, pois seu texto simultaneamente esclarece e ilumina o papel da crítica. Aqueles que o acompanham há algum tempo sabem que não se trata de falácia. E quanto aos novos leitores, bem, estes podem começar a acompanhá-lo e tirar suas próprias conclusões. Mas o certo é que aqui encontrarão além de textos brilhantes, respeito e educação. Um privilégio, no mundo atual, no qual a ética parece não mais existir. Zé, um beijo grande e uma ótima semana.

  19. Jose Says:

    É a velha questão:Criticar é por em crise ou amar?

  20. Virgilio Moura Says:

    Eu confesso que tinha enorme preconceito quanto aos filmes brasileiros, ou feitos no Brasil, mas vendo semana passada os últimos filmes do Bressane, Cão sem dono e Cantoras do Rádio, além do extraordinário Dzi, caramba! acho que estou mudando meu olhar.

    • zegeraldocouto Says:

      caro virgilio: tem muita coisa boa feita no brasil nos últimos tempos. você deu alguns bons exemplos. o problema é que muito da melhor produção fica sem espaço no circuito ou é ofuscada pelos megasucessos nacionais e americanos. abração, volte sempre.

  21. Jorge Dersu Says:

    O autor (artista e crítico) existe e sobrevive, pira para criar o seu negócio. Não é qualquer negócio, é Arte. Nossa Arte é viva e a minha sobrevida, devo a ela, minha salvação e busca, um contentar-se. Eu quero ir pro cinema ver de novo “Hitler no Terceiro Mundo” . Viva Zé, Agripino de Paula!

    namastê
    om kriya babaji nama aum

  22. Thiago Says:

    parafraseando Nioetzsche, mas um pouco distorcido: original é aquele que sabe dar nome aos bois. e que vivam as intersecções culturais. (uma maneira de enxerga…glauberismo talvez..?!)

  23. Thiago Says:

    além de quê, existe um certo eufemismo em obras que devem repercurtir e em obras que não devem repercurtir em mainstream…ou estou errado? a mostra surreal de salvador dali ao grande público é um erro ou um acerto? a arte é democrática? são as perguntas que movem o mundo. na época da ditadura, os teóricos filósofos chamavam o sistema de comunicação de ‘aparato ideológico do sistema’…e hoje?

  24. Gregório Says:

    Grande José!
    Assino embaixo.
    Pena que cheguei depois da “patritoada”, a patriotada tronitoante.
    abraço!
    Gregório

    • zegeraldocouto Says:

      valeu, gregório. bom saber que você também acha isso. quanto à “patritoada”, está registrada, de todo modo. e sua definição para ela é ótima. abração, volte sempre.

  25. sérgio alpendre Says:

    tendo lido com atraso, devo dizer que assino embaixo. Mas não me incomodaria se o Cacá Diegues me dissesse que eu não gosto do Brasil. Não gosto mesmo (sairia do país sem dó, se não fosse tão apegado a pessoas e coisas, mas isso não vem ao caso).

    • zegeraldocouto Says:

      sérgio, caríssimo: é difícil dizer que amamos um país como um todo. também não sei. gosto de noel rosa, de glauber rocha, de villa-lobos, de joão cabral, de guimarães rosa, da rua onde eu nasci, da língua em que me entendo com meus vizinhos. será que isso é amar o brasil? abração, volte sempre.

  26. Jose Says:

    Zé,acho que esta questão envolve até o futebol. Alguns ainda idolatram a seleção,enquanto a nave da arte já pousou em terras espanholas.

  27. VAGALUZES FILMES Says:

    é como viver entre a cruz e a espada. e como a vida é feita de escolhas…
    valeu zé!
    bjis

  28. N. Konthyegki Says:

    Bom texto,
    Um olhar maduro – ou para retomar a criticidade – sobre o cinema brasileiro, coisa muito pouco difundida no meio hoje, confinada que está nos meios acadêmicos.
    É necessário a crítica cinematográfica brasileira se autonomizar e chamar para si a responsabilidade de uma crítica austera e sem rabos presos.
    Parabéns Zé Geraldo!

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